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   Resenhas de Livros

 
A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço
Pierre Lévy

Editora: Loyola
Data: 1999 (2a. Edição)
 
 

Pierre Lévy é um filósofo, que se tornou famoso por analisar e discutir as conseqüências da comunicação através das redes mundiais informatizadas. É um palestrante muito requisitado e um escritor profícuo, já proferiu centenas de palestras e escreveu um número também grande de artigos e de livros. Nesta obra, escrita em 1994, ele propõe uma visão antropológica do ciberespaço, colocando o espaço do saber numa posição de predominância sobre os três espaços anteriores: a Terra, o Território e o Espaço Mercantil.

Para Lévy, “a Terra foi o primeiro grande espaço de significação aberto à nossa espécie”, pois “só os seres humanos vivem sobre a Terra; os animais habitam em nichos ecológicos”. O segundo espaço, “o Território, é inventado a partir do neolítico, com a agricultura, a cidade, o Estado e a escrita”. O terceiro espaço antropológico, surgido desde o século XVI, Lévy chama de Espaço das Mercadorias: “ele começa a esboçar-se, sem dúvida, com a inauguração de um mercado mundial por ocasião da conquista da América pelos europeus”. O último espaço seria o da inteligência e do saber coletivos e como os espaços antropológicos anteriores, “o Espaço do saber teria vocação para comandar os espaços anteriores, e não para fazê-los desaparecer”.

É uma obra interessante, que aguça o raciocínio do leitor, mas que também se permite reflexões existenciais com uma certa dose de poesia, como nesta passagem: “Também eu, qualquer que seja minha provisória posição social, qualquer que seja a sentença que a instituição escolar tenha pronunciado a meu respeito, também sou para os outros uma oportunidade de aprendizado. Por meio de minha experiência de vida, de meu percurso profissional, de minhas práticas sociais e culturais, e dado que o saber é co-extensivo à vida, ofereço recursos de conhecimentos a uma comunidade. Mesmo que esteja desempregado, que não tenha dinheiro, não possua diploma, mesmo que more num subúrbio, mesmo que não saiba ler, nem por isso sou ‘nulo’. Não sou intercambiável. Tenho imagem, posição, dignidade, valor pessoal e positivo no Espaço do Saber. Todos os seres humanos têm direito ao reconhecimento de uma identidade de saber.”

   

 

 

 
 
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