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Notícias
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Seu balanço já fala a língua internacional? |
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Fonte: Revista Amanhã
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Carlos Biedermann e Danilo Marques
A Lei nº 11.638, sancionada pelo governo brasileiro no final de 2007, obriga todas as companhias brasileiras de capital aberto a apresentar seus demonstrativos financeiros segundo as normas internacionais de contabilidade, definida como International Financial and Reporting Standards ("IFRS"). Essa exigência é mandatória para os exercícios contábeis a se encerrar em 31 de dezembro de 2010. Considerando a data limite, o princípio fundamental de comparabilidade de demonstrações financeiras e os requerimentos de transição apresentados pela norma de adoção inicial, é necessária uma análise detalhada dos impactos da aplicação do IFRS em 1º de janeiro de 2009 (equivalente a 31 de dezembro de 2008).
Vale lembrar que, recentemente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) eliminou a exigência de que as empresas apresentassem demonstrações financeiras trimestrais de acordo com o IFRS para trimestres a serem encerrados durante o exercício de 2010. Essa notícia foi recebida com grande satisfação, dando fôlego extra para as empresas no processo de convergência em 2009 e 2010. Entretanto, esse fato não elimina a necessidade da apresentação de informações trimestrais comparativas a 2009, nos trimestres a se encerrarem em 2010.
Já temos exemplos de empresas que anteciparam a adoção do IFRS. É o caso da Gerdau, pioneira no Brasil, que substituiu o padrão contábil desde 30 de setembro de 2007. Outro exemplo é a Vale, que divulga desde 2008 os potenciais impactos da aplicação do novo padrão no seu resultado trimestral.
Em conexão com o processo de convergência ao IFRS, os padrões contábeis adotados no Brasil, aplicáveis tanto às companhias fechadas como às sociedades por quota de responsabilidade limitada, encontram-se em processo vigoroso de harmonização com a nova norma. Esse processo é liderado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), cujo objetivo é centralizar e facilitar o processo de convergência das práticas contábeis brasileiras ao IFRS. Desde sua criação, em 2005, o CPC publicou aproximadamente 35 documentos, entre normas contábeis, interpretações e orientações técnicas, com aplicação entre 2008 e 2010.
É praticamente impossível uma empresa não ser afetada por esse processo, seja pela convergência ao IFRS imposto às companhias abertas, seja pelo processo de harmonização das normas contábeis brasileiras promovido pelo CPC. A situação é extremamente complexa, considerando que representa uma evolução depois de muito tempo sem uma grande reformulação nas normas contábeis brasileiras. Como pode se esperar, é muito difícil de ser assimilada pelos profissionais da área, o que gera uma demanda de dedicação fora do comum em 2009 e 2010.
Importante ressaltar que as empresas não listadas na bolsa não podem deixar de lado as novas normas, especialmente a adoção do IFRS, já que o mercado não vai admitir informações contábeis que não estejam no modelo internacional.
Assim, qualquer operação estruturada, parceria, ou operação financeira mais complexa vai requerer da companhia uma contabilidade moderna, atualizada e auditada. Essa contabilidade não se estrutura de um dia para outro. Requer, muitas vezes, um esforço significativo de tempo e recursos. Muitas empresas deixaram de abrir capital no passado recente por não contarem com contabilidade confiável.
A ausência de profissionais qualificados no mercado e o início tardio de um projeto estruturado são barreiras que podem inviabilizar o cumprimento do cronograma de convergência estabelecido. O compromisso da direção da companhia com a capacitação de pessoal, o desenvolvimento de sistemas e o redesenho de processos internos são fundamentais para o sucesso nesse processo de convergência.
Assim, urge que os administradores passem a agir no sentido de ter sua contabilidade em linha com as mais modernas normas internacionais, sob pena de perder oportunidades importantes num futuro próximo. |
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